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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Zika vírus pode causar abortos espontâneos

Não só a microcefalia é uma ameaça às grávidas e aos filhos expostas ao zika vírus. As mulheres infectadas pela doença durante a gestação também têm risco maior de terem aborto espontâneo ou dos bebês nascerem mortos (natimorto). O alerta foi dado ontem pelo Ministério da Saúde (MS) durante o lançamento do “Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika”, em Brasília, que também atualizou os dados sobre a ocorrência da malformação no País. Já são 1.761 casos suspeitos da anomalia, 477 casos a mais em uma semana. Pernambuco continua com o maior número de notificações: 804.

O chefe do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVIT) do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, destacou que a investigação sobre abortamento e natimortos é novidade entre os protocolos já instituídos em nível federal ou estadual. “Até o momento, não tivemos notificações oficiais para o MS sobre o aumento de abortos, mas com esse protocolo, de certo, começaremos a ver isso”, contou.
A médica e chefe da infectologia infantil do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), Ângela Rocha, comentou que já ouviu relatos de mulheres que perderam os bebês depois de quadros virais com exantema (manchas vermelhas na pele), mas que ainda não há números que atestem o aumento dessa ocorrência em Pernambuco. No entanto, esse é mais um risco a ser considerado na hora de engravidar.
“Isso (abortamento) pode acontecer com vários outros vírus, não só zika, principalmente se a mãe adoece no início da gestação. Dependendo do sistema de defesa da mãe e outros fatores, essa infecção pode levar a algumas malformações na estrutura do feto, lesões graves, e que acabam sendo incompatíveis com a evolução da gestação, levando assim ao aborto espontâneo. É um risco, sim”, comentou.
A infectologista destacou ainda que outros fatores a serem considerados para o abortamento são problemas na composição da placenta e a tendência da mulher em ter episódios anteriores de aborto. Já as mortes suspeitas por microcefalia em crianças que nasceram e morreram em seguida já somam 19 em todo Brasil. A maioria dos registros foram no Rio Grande do Norte (RN), que soma sete óbitos.
Segundo o infectologista e professor, Kleber Luz, até agora exames nesses bebês deram negativo para várias viroses, a exemplo de rubéola, citomegalovírus e toxoplasmose. Isso reforça a tese de infecção por zika. Todas as mães potiguares que perderam os filhos tiveram exantemas durante a gestação.
PROTOCOLO - O Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika amplia as definições de casos para identificação durante a gestação e no pós-parto. Agora, a detecção averiguará: gestante com possível infecção pelo vírus zika; feto com alterações do sistema nervoso central, possivelmente, relacionada à infecção durante a gestação; aborto espontâneo decorrente de possível associação com o vírus; natimorto após de possível infecção pelo zika; e recém-nascido vivo (RNV) com microcefalia possivelmente associada à infecção pelo vírus durante a gestação.
Incógnitas ainda persistem
A cada semana, quando mais notificações de microcefalia são divulgadas pelo Ministério da Saúde, a incógnita permanece. Por que Pernambuco tem tantos casos? Até 14 de novembro, eram 268, quantitativo que passou para 487, no dia 21, e para 646, no último dia 28. Atualmente, são 804, o que equivale a 45% das ocorrências do País. No mês passado, eram 67%. Mesmo assim, a distância ainda é grande da Paraíba, em segundo lugar, com 316 casos. A associação entre o zika e a malformação já foi reconhecida por organismos nacionais e internacionais, mas a falta de registro da infecção pelo vírus, que tem ocorrido em meio aos diagnósticos de dengue, dificulta a identificação dos motivos por trás da incidência. A infestação pelo mosquito pode ser uma pista, já que os pontos em que há mais risco coincide com as regiões onde mais bebês microcéfalos têm nascido.
Com base no último Levantamento de Índice Rápido de Aedes aegypti (LIRAa), divulgado há duas semanas, é possível fazer um mapeamento do inseto. Em Pernambuco, por exemplo, 33% dos 160 municípios envolvidos na pesquisa têm níveis de infestação apontados como de risco. Quando consideradas as cidades com indicadores de alerta, esse quantitativo chega a 72%. Outros estados que figuram no topo da lista da microcefalia têm situação semelhante. A Paraíba tem 26%. A Bahia (3° lugar), onde foram registrados 180 casos, tem 25% e 71% dos municípios em situação insatisfatória. Já na outra ponta, aparece Goiás (13°), que teve três ocorrências de microcefalia neste ano. Apenas 0,5% das localidades estão com níveis altos de infestação, e 14%, em alerta. Do mesmo modo, no Piauí (9°), com 36 casos, esses índices são de 3% e 20%.
Na visão do professor da Pós-graduação em Gestão Ambiental da Faculdade dos Guararapes, Luís Cometti, a grande presença do Aedes aegypti pode explicar a curva também crescente de casos da malformação, mas não é o único fator. “O consumo de produtos com agrotóxicos, por exemplo, que é grande em Pernambuco, pode ser uma razão”, explica, acrescentando que condições das cidades, que, no Nordeste, têm carências históricas de infraestrutura, também contribuem para o cenário. 

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