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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Apenas 32% dos brasileiros preferem democracia, diz pesquisa

Acampamento do Movimento Pátria Amada no gramado do Congresso Nacional / Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Acampamento do Movimento Pátria Amada no gramado do Congresso Nacional
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
 
Mergulhados numa grave crise política e econômica que levou a queda de uma presidente, os brasileiros têm desacreditado da democracia. Pesquisa da Corporación Latinobarómetro, ONG sediada no Chile que realiza sondagens desde 1995, mostra que menos de um terço dos brasileiros (32%) acreditam que a democracia é preferível a qualquer forma de governo. No ano passado, eram 54%; o que mostra um aumento drástico de descrença.
Dos 18 países latinos pesquisados, apenas na Guatemala (31%) há menos apoio à democracia que no Brasil. Esse também é o pior índice para o País desde 2001, quando havia crise econômica e racionamento de energia. O relatório da pesquisa aponta a segunda mais importante crise política desde que o Brasil retomou a democracia e o pior momento econômico do País em 25 anos como os principais motivos para a queda do índice.
No levantamento de 2016, 55% dos brasileiros afirmaram que não importam se o governo é democrático, desde que ele resolva os problemas. E 87% dos entrevistados disseram crer que o governo age mais em benefício próprio do que em prol do bem comum. Para 75%, o povo deve obedecer as leis sem exceção. Já 34% pesam que o presidente pode controlar os meios de comunicação em momentos de crise.
Para o professor de Filosofia Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), há uma cultura pouco democrática na América Latina que remonta ao século XIX. “A democracia está pagando um preço que não é dela”, explica. “No mundo inteiro, o Estado está em crise. Você tem corrupção, venda de armas ilegal, e o cidadão percebe que o Estado é impotente apesar de consumir impostos enormes. Ele não oferece educação de qualidade, não oferece saúde, não oferece coisa nenhuma”, resume.
Para o filósofo, especialista em Ética e Política, o desafio é evitar a tentação messiânica. “Você tem o risco de aparecer personalidades carismáticas e messiânicas que se ofereçam como uma saída milagrosa. Essa tentação sempre é o maior risco da democracia”, alerta.

AMÉRICA LATINA

Na América Latina, de uma forma geral, a preferência pela democracia (54%) está em queda há quatro anos seguidos, após atingir um pico de 61% em 2010. O ritmo acompanha uma retração no Produto Interno Bruto (PIB) das nações pesquisadas, que havia avançado 5,7% em 2010 e deve cair 0,8% ao longo de 2016; de acordo com dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) citados pelo Latinobarómetro.
Em 12 dos 18 países onde o levantamento foi feito, a confiança na democracia regrediu. A pior queda foi a do Brasil (22%). Seguida por 11% de queda no Chile e 8% no Uruguai.
Das cinco nações onde houve melhora da preferência pelo regime democrático, o melhor número foi o Paraguai, que passou de 44% para 55% no último ano. O México é o único país onde o índice se manteve estável, em 48%.
No Brasil, o levantamento foi feito pelo Ibope Inteligência entre os dias 15 de maio e 15 de junho. Foram ouvidas 1.204 pessoas em todo o País. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos. E o nível de confiança nos dados é de 95%.
Fonte :Paulo Veras
JC.

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