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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Quando comer vira um pesadelo

 'A lógica da alimentação parece simples. Ela remete à ingestão de nutrientes essenciais ao funcionamento do corpo, proporcionando diariamente saúde, prazer e até sociabilidade. Mas quando essa relação muda de sentido e o simples ato de comer se torna um pesadelo? Eis a base para os distúrbios alimentares mostrarem o lado cruel des­sa moeda, influenciados por pressões socioculturais, com­ponentes biológicos, genéticos e psicológicos, que afetam boa parcela da população no mundo inteiro.

Na linha de frente da maioria dos diagnósticos estão bulimia, anorexia nervosa e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) por alimentos. Situações em que o efeito não é apenas a do emagrecimento, mas também o da ocorrência da obesidade que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é um dos maiores problemas de saúde pública, com projeção para 2,3 bilhões de adultos em sobrepeso e mais de 700 milhões de obesos, até 2025. É, para muitos profissionais da área clínica, a epidemia do século 21. Enquanto isso, um em cada 250 jovens no Brasil sofre da extrema magreza causada pela distorção da própria imagem.

No consultório do médico nutrólogo Jêmede Valença, em Casa Forte, a frequência massiva é de pacientes compulsivos pelo ato de comer, sendo a maioria do sexo feminino desde a adolescência até a maturidade. “Recentemente, atendi o problema de bulimia numa mulher de 40 anos, que estava em sobrepeso e já havia perdido mais de 10 quilos, mesmo assim queria eliminar ainda mais sem precisar induzir o vômito diariamente”, lembra. O caso resume a busca obsessiva pelo emagrecimento que, em estágios como este, denuncia o diagnóstico por conta de dentes amarelados, desidratação, mau hálito e esofagite - inflamação na mucosa do esôfago. Ainda segundo o especialista, o ato agressivo de colocar o dedo na garganta logo após uma comilança carregada de calorias não é o único indício de bulimia, já que também é frequente o uso de laxantes nesse ciclo de fartura, negação e culpa.

O médico também alerta que os motivos responsáveis pelos transtornos não podem ser avaliados isoladamente. “Pelo menos 90% dos neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios, são transmitidos por estímulos que partem do intestino, por isso há situações também relacionadas a essas alterações bioquímicas, com baixo ní­vel de neurotransmissores ou resistência a eles. O lado genético também deve ser observado, pois fatores externos podem ativar os genes propensos a desenvolverem o problema”, argumenta.

Além disso, é fácil perceber o quanto as emoções influenciam na alimentação como desvio das atenções sobre questionamentos próprios. É mesmo na mente que as distorções afloram. Segundo a psicóloga Tatiana Feldmann, é difícil identificar os primeiros sinais por conta das variações emocionais. “Surge em indivíduos muito jovens, que tem como característica um certo desconhecimento sobre si mesmo. A anorexia nervosa, por exemplo, pode ser caracterizada como uma alteração profunda da imagem corporal, levando a uma busca incansável pela forma física esbelta até chegar ao ponto de inanição”, diz ela sobre a doença em que o paciente se torna excessivamente magro, mas continua acreditando estar obeso. É responsável pelo índice de mortalidade entre 15% e 20% dos casos.

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