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domingo, 7 de janeiro de 2018

Pedro Corrêa diz que sua geração fazia ‘eleição com dinheiro’


Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

“Não sou nenhum santo, sou um político da minha geração”. Afirmou o ex-deputado federal pernambucano pelo PP Pedro Corrêa, condenado no mensalão e na Lava Jato em entrevista ao jornal O Globo. O ex-parlamentar está em prisão domiciliar, sem poder sair de casa, na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Apesar dos escândalos de corrupção, afirmou na entrevista ao jornal carioca que, “se deixarem”, quer voltar à Câmara – o que não pode por causa da Lei da Ficha Limpa – ou eleger alguém – como o Blog de Jamildo antecipou, ele articula a candidatura da filha Aline Corrêa, que foi deputada federal por São Paulo e citada na operação, mas salva na delação do pai.

Ao Globo, Pedro Corrêa defendeu que não ficou rico negociando votos, “mas era um político que fazia eleição com dinheiro, acertando compras de votos com os prefeitos e com os vereadores”. “A minha geração fazia política assim, desde que eu entrei na Câmara até eu sair”, disse ao jornal

O pernambucano foi deputado federal desde 1979, pela Arena, partido ligado ao regime militar, até 2006, quando foi cassado no mensalão. Ao todo, teve seis mandatos. Em todos, segundo a entrevista ao Globo, admitiu que houve corrupção.

“Desde que cheguei na Câmara tinha isso. O cara fazia um favor a um empresário, e o empresário dava retribuição em dinheiro para a campanha. Agora se respeitava mais, se recebia sempre no período da campanha. Depois, os empresários começaram a se esconder no período da campanha. Foi quando começou o negócio de antecipar a arrecadação”, afirmou ao jornal.

Corrêa ainda disse ao Globo que as indicações políticas na Petrobras, que motivaram as investigações da Lava Jato, sempre existiram, mas com o PT na presidência foram ampliadas. “O dinheiro ficava com a área técnica e com os políticos que tinham um prestígio muito grande. Os partidos eram fechados demais, tinham donos que seguravam tudo isso. No governo Lula foi abrindo, porque foi democratizando isso”, afirmou ao Globo.

Ao jornal, ele não citou o mensalão ou a Lava Jato como erros e disse que “só se arrepende do que não fez”. Para ele, seus equívocos foram ter votado contra a campanha das Diretas Já, em 1984, e a favor de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, em 1985. “Não precisava ter sido presidente do partido. Talvez meu grande erro tenha sido esse. Porque não teria acontecido nada, seria deputado até hoje, podia estar com alguns processos que iam me acusar de ter recebido dinheiro para fazer campanha e eu tinha recebido mesmo. Mas estava aí com processo no Supremo. Ia me eleger mais duas, três vezes e pronto.”

Fonte :Blog de Jamildo.

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