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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Confundiu mais do que esclareceu

Joaquim Barbosa é cogitado para ser o candidato do PSB nas eleições presidenciais
Joaquim Barbosa é cogitado para ser o candidato do PSB nas eleições presidenciaisFoto: Emília Silberstein
Após duas horas de reunião com a cúpula do PSB, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa (PSB), trocou a animação em relação à pesquisa Datafolha - na qual apareceu com 8% a 10% das intenções de votos - pela hesitação. O ex-ministro saiu, nesta quinta-feira (19), da primeira reunião com correligionários deixando uma incógnita sobre a possibilidade de disputar a sucessão presidencial e, como justificativa, destacou dificuldades de alianças regionais do partido e resistência familiar.

Apesar de já ter declarado o interesse em disputar o pleito a alguns correligionários, Barbosa disse que ainda não se decidiu. “Há dificuldade dos dois lados. O partido tem a sua história e as suas dificuldades de alianças regionais. E, do meu lado, eu tenho as minhas dificuldades de ordem pessoal. Não consegui ainda convencer a mim mesmo de que devo ser candidato. Persiste essa dúvida muito grande da minha parte”, declarou.

Focos de resistência, os governadores Márcio França, de São Paulo, e Ricardo Coutinho, da Paraíba, saíram mais cedo. O paulista defendeu o apoio da sigla ao ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), enquanto o paraibano, aliado do PT, disse que o ideal seria uma ampla frente democrática, sem necessariamente ter o PSB como cabeça de chapa. Já o governador Paulo Câmara, que articula uma aliança com o PT, ficou até final, mas não declarou abertamente apoio.

O ex-ministro ponderou que o prazo é elástico, tendo em vista que as convenções ocorrem apenas em agosto, e sugeriu que a legenda pode “optar por escolher outro nome dentre os filiados”. Apesar da incerteza, Barbosa comemorou o resultado da última pesquisa. “É bom, né? Para quem não está em campanha, não dá entrevista, quem não frequenta cena pública brasileira”, disse. O habitual comportamento inflexível de Barbosa se fez presente. Ele demonstrou irritação com a imprensa e com militância. Inclusive, ignorou uma homenagem feita pelo movimento negro com cartazes e flores. Já a postura dúbia pode ser interpretada como uma estratégia para ganhar tempo.

Cúpula
Destoando das declarações de Barbosa, os correligionários saíram da reunião fazendo avaliações positivas. O PSB, inclusive, já articula reuniões do ex-ministro com as bancadas na Câmara dos Deputados e Senado e movimentos sociais da legenda para inseri-lo no espectro partidário. Siqueira teria ficado de conversar com o neo-socialista sobre demanda de comunicação.

O ex-ministro, inclusive, saiu da reunião com um programa de governo de 2014 e outro de planejamento para o País, de médio a longo prazo, da Fundação João Mangabeira, para estudar, e teria eleito a educação como pauta prioritária.

O deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) avaliou que a reunião foi positiva. “Ele conheceu a cúpula do partido e tivemos uma conversa amistosa e transparente”, destacou. Entusiasta da postulação, o deputado acrescentou que ninguém tinha expectativa de anunciar a candidatura de Barbosa.

Corroborando com a avaliação do correligionário, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, minimizou as resistências. “Há problemas regionais a resolver e precisamos ter cautelas para não afastar aliados. Mas coligações regionais raramente dependem de uma decisão nacional”, disse. Siqueira ponderou que há tempo para a escolha e que esta eleição será atípica. “Há candidatos que já estão há meses de pré-campanha e não conseguiram decolar. O único que conseguiu decolar foi o candidato que não pode ser candidato", ironizou.

Questionado sobre a possibilidade Barbosa ser candidato a vice da ex-ministra Marina Silva (Rede), Siqueira, novamente, descartou. “Nós não convidamos o Joaquim Barbosa ao PSB para ser vice de ninguém e não queremos indicar ele para vice de chapa nenhuma. Quem tem essa esperança pode esquecer”, rechaçou.
Fonte:Blog da Folha de PE.

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