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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Mercosul e UE sinalizam acordo de livre comércio

Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar
Renato Cunha, presidente do SindaçúcarFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco
Negociado há mais de dez anos, o acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE) pode enfim está prestes a sair do papel. A informação é do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) do Brasil, que tem participado de uma série de encontros para tratar do assunto e volta a se reunir com as autoridades europeias na próxima semana, em Bruxelas - sede do bloco de comércio europeu.

O MDIC confirmou à Folha de Pernambuco que as negociações se intensificaram - na semana passada, por exemplo, uma reunião técnica já havia sido realizada entre o Mercosul e a UE. A expectativa é, portanto, que pelo menos um acordo político seja assinado em breve. A ideia é que, se o documento final ainda não sair na próxima negociação, pelo menos um acordo que peça celeridade às tratativas técnicas seja firmado. 

Pensando nisso, o próprio ministro Marco Jorge vai participar do encontro em Bruxelas. Secretário de Comércio Exterior do MDIC, Abrão Neto também vai para a sede da União Europeia. Por isso, tem se reunido com os setores produtivos que podem ser beneficiados pelo acordo. Nessa quinta (12), por exemplo, o secretário se encontrou com o setor sucroalcooleiro, que saiu com a esperança de estabelecer um novo acordo sobre as exportações do açúcar brasileiro. 

Presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha explicou que hoje a União Europeia estabelece cotas e tarifas para o açúcar brasileiro. Essas barreiras, porém, podem cair com as negociações. “O Brasil deve diminuir a tarifação para a importação de produtos como componentes de automóveis e queijos. Então, nada mais justo que a UE flexibilizar as cotas de açúcar e de carne”, argumentou Cunha, que conversou com Abrão Neto nessa quinta. 

“Nós queremos que pelo menos a tarifa de importação seja zerada, mas também é possível que uma terceira cota de exportação seja liberada para o Brasil”, contou Cunha, dizendo que isso pode elevar de 412 mil toneladas por ano para 532 mil toneladas por ano o total de açúcar que o País pode vender para os países europeus. “E o beneficiado com isso será o Nordeste”, garante o presidente doSindaçúcar-PE, explicando que acordos internos do mercado sucroalcooleiro determinam que os produtores locais têm prioridade no comércio europeu. 

Pernambuco ainda ganha pela localização. O Estado está mais próximo da Europa. Por isso, pode fazer a ponte entre esses mercados através do Porto de Suape”, acrescentou o assessor da presidência da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeira, explicando que o Porto pode fazer a distribuição das cargas europeias pelo Nordeste e vice-versa. Laranjeira disse ainda que, além do açúcar, o álcool, as frutas, os automóveis e os produtos químicos pernambucanos podem ganhar espaço na Europa com este acordo. Por outro lado, insumos industriais e produtos tecnológicos europeus podem ficar mais atrativos para os brasileiros devido à redução das tarifas alfandegárias. “Nossa relação comercial com a Europa pode crescer muito, já que a Europa é um grande mercado consumidor e produtor”, afirmou Laranjeira. 

Professor de comércio exterior da Faculdade Damas, Bianor Teodósio confirmou que o acordo vai contribuir com a economia de Pernambuco e a do Brasil - o País deve ser, inclusive, o maior beneficiado do Mercosul. “Quase 70% do PIB do Mercosul é do Brasil. E este é um bom momento para os países implantarem este acordo. Afinal, o Brasil está tentando se reerguer economicamente e a União Europeia está em busca de novos parceiros para não ficar entre a guerra comercial dos Estados Unidos e da China”, acrescentou o professor, dizendo que esta conjuntura está favorecendo o avanço do acordo neste momento.
Fonte: Folha Pe

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