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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Fim das coligações desafia partidos para eleição de 2020


Fim das coligações proporcionais acirra disputa por 2020Foto: arte/Folha de Pernambuco

O fim das coligações proporcionais nas eleições do próximo ano tem levado vereadores a pressionarem seus partidos pelo lançamento de candidaturas majoritárias. Sem a composição com outras legendas para turbinar as votações e garantir o coeficiente eleitoral, as siglas têm estudado a hipótese de ter candidatos a prefeitos que possam ajudar a puxar votos para os vereadores.

A nova regra tem um potencial nevrálgico de alterar os cálculos eleitorais na corrida pelas câmaras municipais. Em 2016, 70% dos vereadores eleitos no Recife vieram de uma das sete coligações constituídas naquela campanha. Apenas 30% dos integrantes da Câmara do Recife estavam filiados a partidos que concorreram sozinhos. Por isso, políticos passaram a defender o lançamento de nomes em cidades estratégicas. Foi o caso do deputado federal Fernando Monteiro (PP), que apoiou na Rádio Folha FM 96,7, na última semana, que o PP tenha candidato a prefeito do Recife.

"A campanha majoritária sempre fortalece a composição das chapas proporcionais. Pensando nisso, o nosso partido se coloca à disposição para disputar as eleições e rediscutir o Recife. A gente vai encabeçar uma chapa. Isso fortalece a disputa proporcional, uma vez que poderemos circular com o candidato a prefeito. Tem o voto de legenda também", diz o vereador Ricardo Antunes (PSC), líder da oposição na Câmara do Recife.

Ele não é o único a defender essa tese. "A lógica é a seguinte: a medida que você não tem mais as coligações, a tendência é que você tenha mais candidaturas a prefeito para que ela chame votos para as candidaturas proporcionais. Isso vai ser algo novo para todo o País. As eleições municipais vão ser o primeiro teste para esse modelo. Então todos estão estudando para entender como isso vai funcionar. E será necessário também ter uma grande quantidade de candidatos a vereador para tentar atingir o coeficiente eleitoral", argumenta o vereador de Caruaru Daniel Finizola (PT) - mostrando que o dilema alcança, inclusive, o interior.

De olho nesse cenário, o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente do PP, autorizou deputados do partido a buscarem viabilizar suas candidaturas em cidades estratégicas. O pastor Cleiton Collins, ele conta, deve transferir seu domicílio eleitoral para o Recife, onde o PP já tem Romero Albuquerque. Em Jaboatão dos Guararapes, o militar Joel da Harpa buscará se viabilizar. Em Caruaru, no Agreste, a aposta do partido é no delegado Erick Lessa.

"Se eles chegarem ao próximo ano mostrando viabilidade nas pesquisas, nós vamos adiante com as candidaturas. O candidato majoritário só será um puxador de votos para a chapa proporcional se ele tiver viabilidade eleitoral. Se não, ele puxa a chapa para baixo. Mas nós acreditamos nos nossos pré-candidatos", explica Eduardo da Fonte. Ao mesmo tempo, ele vai procurar vereadores com mandato e interessados em disputar uma vaga no legislativo para tentar montar uma chapa competitiva. A meta é repetir o desempenho de 2018 e fazer entre oito e 12 vereadores.

"A gente está realmente com essa preocupação. Acredito que todos os partidos estão", reconhece o ex-deputado estadual José Humberto Cavalcanti, presidente estadual do PTB. "Já marquei um almoço-reunião com o vereador Antônio Luiz, presidente do PTB no Recife. Também já tive uma conversa com o ex-senador Armando Monteiro. Queremos montar um projeto estratégico em todas as regiões de Pernambuco porque 2020 já está na porta. E a gente já tem sido procurado por algumas lideranças do interior com o objetivo de se filiar ao partido e disputar as eleições do próximo ano. O presidente nacional do partido, Roberto Jefferson, também já externou essa preocupação para nós", lembra.

Outro partido que, instado a comentar o fim das coligações proporcionais, prometeu investir em candidaturas majoritárias foi o PSDB. "Vamos trabalhar para aumentar o número de prefeituras governadas pelo partido. Vamos estimular o maior número de candidaturas, inclusive no Recife. Queremos também eleger o maior número de prefeitas mulheres. Devemos construir instrumentos para estabelecer uma conexão direta com a sociedade. A sociedade mudou e vamos de forma centrada nos posicionarmos nesse novo momento", afirmou o ex-ministro das Cidades Bruno Araújo, presidente da sigla no Estado.

Presidente estadual do PSC, o deputado federal André Ferreira diz que a sigla já vinha trabalhando no modelo de chapinhas desde 2016. As chapinhas do PSC elegeram três vereadores no Recife e cinco deputados estaduais nas últimas eleições. "Já estamos trabalhando nessa montagem de chapa desde janeiro. Tendo reuniões com pré-candidatos e mostrando nossa estratégia. Para a chapinha dar certo é preciso que todos tenham condições de disputar com igualdade. Nosso projeto para 2020 é eleger cinco vereadores na Capital", promete. Sobre ser candidato a prefeito do Recife, André diz se sentir legitimado, mas lembra que essa é uma estratégia para ser definida mais na frente.

"A candidatura a prefeito, para ajudar na chapa, tem que ser competitiva. Isso ajuda porque vem o voto de legenda. Mas não é só isso. Em 2018, o PSC não tinha candidato próprio a governador e elegeu cinco deputados estaduais", lembra.

A visão é parecida com a do presidente do PT em Pernambuco, Glaucus Lima, para quem o fim das coligações proporcionais é algo que será inserido no cálculo da tática eleitoral a ser mapeada nos municípios.

"O problema é que, seja lá qual for a tática eleitoral para vencer a eleição majoritária, você vai ter que combinar isso com a chapa proporcional. Em alguns municípios, isso pode significar abrir mão de uma candidatura a prefeito para fortalecer a chapa de vereadores", admite. Segundo Glaucus, o cenário do Recife será observado com especial cuidado por se tratar do centro político do Estado.

"Na aliança construída com o PSB a nível estadual não houve, em nenhum momento, condicionamento em relação a 2020 em nenhum município. Então, é possível ter uma aliança com o PSB? É. Mas é também possível ter candidatura própria. Marília Arraes (deputada federal) teve uma votação expressiva no Recife. Mas esse não é o único indicador", alerta.

O secretário estadual de Desenvolvimento Social, Sileno Guedes, presidente do PSB-PE, diz já ter feito uma reunião com os vereadores da sigla na Capital e conversado com alguns legisladores do interior do Estado sobre as mudanças. "A tendência, pelo que estou vendo e ouvindo em vários municípios, é a formação de chapões. Todos os partidos vão ter que aumentar o número de candidatos a vereador. Por exemplo, no Recife, temos oito vereadores. A gente pode filiar mais sete ou oito ao PSB. Matematicamente, essa talvez seja uma boa estratégia, de formar chapões concentrados em alguns partidos. Mas isso tudo é um cálculo que nós ainda temos que fazer", indica.

Questionado se o maior número de candidatos atrapalha os socialistas que, afinal, são governo e tiveram 20 siglas apoiando a reeleição do prefeito Geraldo Julio (PSB), Sileno diz que isso não interfere. "Uma eleição majoritária não se define pela quantidade de candidatos. Principalmente para quem está no governo. Ela se define pelo que você vai apresentar que fez e pelo que pode fazer. Não é só porque um partido vai lançar candidato, mas pelo que ele vai propor à Cidade em termos de projeto", justifica.

Atualmente sem partido, Jayme Asfora admite ser possível que o fim das coligações alimente o desejo das legendas de ter candidatos majoritários. "Em relação ao fim das coligações, sou a favor. Ela vai facilitar que o eleitor identifique em quem ele está votando nas urnas. A coligação fazia um eleitor votar em um candidato progressista e eleger outro mais conservador porque elas permitiam que pessoas com pensamentos diametralmente opostos concorressem juntos", defende.

O vereador João da Costa (PT) diverge e acredita que não necessariamente o fim das coligações vai representar mais candidatos à prefeitura. "No ano passado apoiamos Paulo Câmara para governador e tivemos um resultado muito bom para deputado federal e estadual. Refizemos nossa bancada federal com Marília e Carlos Veras, e elegemos três deputados estaduais", argumenta o petista.

Para o vereador Ivan Moraes, o fim das coligações proporcionais não atrapalha a estratégia do PSOL. "A impossibilidade de coligar-se na chapa proporcional valoriza os partidos que têm projeto político e coloca em xeque o fisiologismo dos partidos “praça-de-taxi”, que fazem coligações e acordos com fins pouco republicanos e transparentes em troca de tempo de tevê", explica.

Fonte: Blog da Folha de PE.

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