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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Cidadania une adversários em São Lourenço


A entrega do meu título de cidadão de São Lourenço da Mata, ontem, na Câmara Municipal, acabou colocando lado a lado o prefeito Bruno Pereira (PTB) e o vice-prefeito Gabriel Neto, a caminho do PL, partido pelo qual enfrentará Bruno, que disputa a reeleição. Eles foram aliados até o dia que o prefeito afastou Neto da Secretaria de Saúde, no início da gestão.

Quando Bruno ficou impedido de governar por um curto período, Neto assumiu interinamente e tomou decisões que aumentaram ainda mais as divergências. No ato de ontem, ambos discursaram, mas não citaram o nome um do outro nem sequer se cumprimentaram.

Uma prova de que a pré-campanha em São Lourenço já começa tensa e com animosidades. Todos os vereadores estavam presentes, entre eles o presidente da Casa, Cícero Pinheiro, aliado do prefeito.

Mas o autor da minha cidadania, Leonardo Barbosa (SD), do balcão oposto ao do prefeito, citou o nome dele com reverência. Muitas outras personalidades estiveram presentes, entre as quais o defensor público Manoel Jerônimo, suplente de deputado estadual, o jornalista Ciro Bezerra, blogueiros e radialistas da cidade. Abaixo meu discurso:

Minhas senhoras, meus senhores vereadores

Venho de uma trajetória longa no Jornalismo, já são quase 40 anos de batente. Sou do tempo da linotipo e do cheiro de tinta que exalava na impressão do jornal. Sou do tempo em que o gazeteiro corria às ruas gritando a manchete do dia. Sou do tempo em que se fazia jornalismo com amor, raça e emoção.

Sou do tempo em que o instrumento mais avançado de enviar a notícia para o jornal era o telex e depois o fac-símile. Tempos de romantismo. Dizia Cláudio Abramo que o jornalismo é uma das mais belas profissões do mundo, pois cabe ao jornalista levar conhecimento às pessoas.


É a partir da informação que cada um pode avaliar com mais pertinência o que acontece na sua cidade, no seu Estado, no seu País e em lugares mais distantes. E é a partir desse conhecimento que as pessoas podem se situar com mais precisão no mundo e, a partir daí, decidir o que é melhor para elas e para a sociedade.

O jornalismo é um dos pilares da democracia, e é por isso mesmo que estou sendo homenageado nesta noite com o honrado título de cidadão de São Lourenço, uma iniciativa do vereador Leonardo Barbosa e que contou com o apoio unânime dos demais vereadores que honram as tradições desta Casa.

Jornalismo e democracia, meus senhores, minhas senhoras, são irmãos siameses: um não vive sem o outro: onde falta liberdade não há verdadeiro jornalismo; onde falta jornalismo independente é porque não há liberdade. E se faltar a liberdade, é porque se impôs a ditadura, onde não há direitos e nem cidadania.



Recorro mais uma vez a Cláudio Abramo, um dos mais importantes jornalistas brasileiros, que disse que o jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter. Eu acrescento, como já escrevi uma vez: pensar com independência é a obrigação número um de qualquer jornalista que queira honrar a sua profissão.

Recebo esta distinção como um reconhecimento ao meu trabalho, à minha trajetória de zelo pelo bom combate do jornalismo.  Aristóteles dizia que a grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las. Nos últimos anos tenho recebido a cidadania em mais de 30 municípios, incluindo Recife. Matuto vindo de Afogados da Ingazeira, no Sertão, me sinto lisonjeado e engrandecido pela conquista de mais um título.

São Lourenço, minha nova pátria, tem uma história rica e esplendorosa. Foi aqui que a invasão holandesa chegou em 1635. Após alguma resistência, a cidade foi evacuada. Foi palco de intensa guerrilha. Com a expulsão dos holandeses, a atividade açucareira voltou a ser uma das pilastras da sua economia.



Sou filho da capital do Pau-Brasil, título dado à nossa joia por causa da reserva ecológica de Tapacurá, remanescente de Mata Atlântica, onde se encontram mais de 100 mil árvores de Pau-Brasil. São Lourenço da Mata é um dos assentamentos urbanos mais antigos do Brasil.

Criado por Clodoaldo Gomes de Araújo, no ano de 1967, o brasão de São Lourenço é composto por diversos elementos que fazem parte da própria história da cidade. O escudo é o elemento de fundo típico de diversos brasões e remete a uma arma de defesa de guerra, elemento bastante utilizado nas lutas durante a idade medieval.

O canhão iluminado pelos raios do sol, no centro do brasão, faz alusão a restauração pernambucana, fato histórico e que São Lourenço da Mata esteve inserido. Durante a invasão holandesa em Pernambuco, parte do território de São Lourenço da Mata foi invadido, e o canhão representa a batalha vencida contra os holandeses.

O feixe de cana-de-açúcar remete a vegetação típica do município, que durante muitos anos teve nas produções dos engenhos de cana-de-açúcar uma de suas maiores fontes de renda. Assim como o feixe de cana, os ramos de pau-brasil também simbolizam a vegetação típica e abundante da região, e que apesar da exploração exacerbada durante o período de colonização, diversos pés de pau-brasil ainda sobrevivem no município.

Meus senhores, minhas senhoras

Os mestres sábios nos ensinam a agradecer tanto as coisas boas como as ruins, compreendendo que tudo acontece para melhor e que tudo segue um plano divino. Deus quer que extraiamos lições das dificuldades que são como esmeris nos purificando e desenvolvendo as virtudes em nosso interior.

Quando nos tornamos gratos, recebemos mais. Quando expressamos nossa gratidão, recebemos ainda mais. Esta é a lei da natureza. Para ser grato é preciso ter sensibilidade, humildade, enfim, é preciso ter amor, esse que é o maior dos sentimentos.

Como novo filho de São Lourenço, trago não apenas o reconhecimento deste sentimento de gratidão e amor ao solo que passo a beijar e abraçar, como me coloco à disposição, como jornalista, para abraçarmos grandes e nobres causas em defesa de sua gente. Afinal, o poder da caneta é a arma que dispomos para empreender qualquer batalha.

Uma terra promissora é composta de pessoas arrojadas e comprometidas com o seu meio. Pessoas que abdicam parte de seu tempo às causas sociais, na busca por uma sociedade justa e igualitária. Faço parte dos que nunca perdem a esperança de construir mais justiça no Brasil.

Avante São Lourenço!

Muito obrigado


Fonte: Blog do Magno

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