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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Nem Bolsonaro, nem Lula


Bolsonaro e Lula, as duas principais lideranças nacionais do País em campos opostos, não se revelam bons cabos eleitorais nas eleições municipais que se avizinham. O ex-presidente demonstrou explicitamente, em seu perfil no Twitter, apoio a oito candidatos a prefeito nas capitais brasileiras. O atual chefe do Executivo sinalizou a outros três. Nenhum deles, no entanto, lidera as pesquisas nas capitais. Os últimos levantamentos mostram que, hoje, o aceno dos políticos não significa, necessariamente, bom desempenho no pleito.

Em São Paulo, capital mais rica e populosa do País, Celso Russomanno (Republicanos) recebeu apoio de Bolsonaro e vem perdendo popularidade. As últimas pesquisas mostram queda nas intenções de voto do candidato, que agora aparece, numericamente, atrás de Bruno Covas (PSDB). Já Jilmar Tatto (PT), apoiado por Lula, tem 4%. No Rio, o primeiro colocado nas pesquisas não recebeu apoio nem de Lula nem de Bolsonaro: Eduardo Paes (DEM) tem 28%, segundo o último estudo divulgado pelo Datafolha.

O atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) é apoiado por Bolsonaro. Ele tenta ir ao segundo turno, mas aparece empatado numericamente com Martha Rocha (PDT) e tecnicamente com Benedita da Silva (PT) – candidata de Lula. Já em Belo Horizonte, Nilmário Miranda (PT) é o candidato apoiado por Lula. Bruno Engler (PRTB), por Bolsonaro. Ambos patinam com 2% e 3% das intenções de voto, respectivamente. O primeiro colocado é o prefeito Alexandre Kalil (PSD), que tem 60%.

No Recife, o ex-presidente Lula demonstrou apoio a Marília Arraes (PT), que tenta ir ao segundo turno, mas está em situação de empate técnico com a Delegada Patrícia Domingos (Podemos) e Mendonça Filho (DEM), enquanto em Fortaleza o PT tem uma de suas mais bem colocadas candidatas: Luizianne Lins. Ela é apoiada por Lula e no cenário atual pode chegar ao segundo turno com o Capitão Wagner (Pros). Em Salvador, por sua vez, a candidata apoiada por Lula é a Major Denice (PT).

As pesquisas indicam, no entanto, que Bruno Reis (DEM) – apoiado pelo correligionário ACM Neto, atual prefeito da cidade – pode ganhar já no primeiro turno. Em Aracaju, outrora reduto do PT, o candidato apoiado por Lula é Márcio Macêdo (PT), que aparece com apenas 6% das intenções de voto. Em Natal, Lula demonstrou apoio a Jean Paul Prates (PT), atual senador, que aparece com apenas 2% das intenções de voto.

R$ 2 bi pelo ralo – A Polícia Federal suspeita que mais de R$ 2 bilhões tenham sido usados em licitações fraudulentas, na compras de insumos com empresas de fachada e superfaturamento na aquisição de equipamentos durante a pandemia. As informações são do jornal ‘O Globo’. Segundo a reportagem, a Polícia Federal já realizou desde abril 52 operações em 19 Estados, em busca de provas para aprofundar as investigações. Investigadores apuram agora, dentro desse universo de R$ 2 bilhões, quanto de fato foi desviado. Todas essas ações somaram 11 prisões preventivas, 120 detenções temporárias e 929 mandados de busca e apreensão.

Se a moda pega... – Em Santa Catarina, o governador Carlos Moisés (foto), do PSL, foi afastado na última sexta-feira pela Assembleia Legislativa. A denúncia contra ele foi apresentada em janeiro deste ano pelo ex-defensor geral de Santa Catarina, Ralf Zimmer, que apontou crime de responsabilidade na equiparação salarial dos procuradores do Estado. Segundo o denunciante, o reajuste não poderia ter ocorrido sem aprovação de lei na Assembleia. O pedido chegou a ser arquivado em fevereiro, mas em maio, após o escândalo dos respiradores, que criou uma crise política no Estado, uma nova manifestação do Tribunal de Contas apontou ilegalidade no reajuste aos procuradores e viabilizou o desarquivamento da denúncia no parlamento. Se a moda pega em nível municipal, Geraldo Júlio estaria frito no Recife.

Centrão de Alcolumbre – O Senado tem agora um Centrão para chamar de seu. A formação do grupo envolve negociações para a reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), filiação de senadores e tratativas para a distribuição de cargos e verbas no governo do presidente Jair Bolsonaro. Em busca da recondução ao cargo, em fevereiro de 2021, Alcolumbre está montando uma trincheira de articulação política no Salão Azul do Congresso em um jogo combinado com o Palácio do Planalto. A expansão dos domínios do Centrão para o Senado ganha relevância em um momento no qual o presidente também precisa de apoio na Casa que abriga seu filho Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), alvo de investigações.

Impulsionamento – Até agora, os candidatos nas eleições municipais de 2020 gastaram R$ 17, 5 milhões em impulsionamento de conteúdo na internet. Entre os cinco maiores fornecedores de serviços, três são especializados em marketing estratégico na web, como o Facebook Serviços Online, por exemplo. Os dados foram obtidos no portal DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral. A plataforma reúne a prestação de contas de candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador. Os gastos dos postulantes seguem concentrados na publicidade em materiais impressos. Foram R$ 159,6 milhões até agora nesse modelo de propaganda. A despesa com a produção de programas de rádio e televisão vem logo em seguida, totalizando R$ 87 milhões.

CURTAS

O LÍDER – Entre os cinco principais fornecedores até agora, três estão relacionados ao impulsionamento de conteúdo. O Facebook faturou, diretamente, R$ 4,2 milhões. Mas a rede acaba recebendo dinheiro das eleições também pelas empresas de pagamento eletrônico Dlocal (R$ 7,7 milhões recebidos) e Ayen do Brasil (R$ 4,4 milhões). Elas funcionam como intermediárias para o pagamento das ações de impulsionamento. A maior parte dos gastos com essas empresas também está na rubrica “impulsionamento de conteúdo”. O fornecedor que mais recebeu recursos até o momento é a Irmãos Soutello & Mendonça Consultoria: R$ 8,6 milhões. A empresa está produzindo material em vídeo para a campanha à reeleição do atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB).

VASSOURADA – Ao ser reempossado em Paulista no lugar do prefeito Júnior Matuto (PSB), afastado pelo presidente do STF, Luiz Fux, o vice-prefeito Jorge Carreiro (PV) repetiu o mesmo ato quando tomou posse pela primeira vez, varrendo do cargo todos os servidores comissionados. "Procedemos como da primeira vez. Exoneração de todos os comissionados. Aqueles que se apresentarem para o trabalho nesta segunda-feira terão a análise da possibilidade de retorno", disse.

Perguntar não ofende: A quem a Polícia Federal dará bom dia ao longo desta semana? 

Fonte: Blog do Magno Martins.

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