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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

O crédito a quem faz


 

As urnas das eleições municipais deste ano, encerradas no domingo (29/11), em segundo turno, deixaram muitas lições. A principal delas foi a leitura de que a opção majoritária do eleitorado, do Oiapoque ao Chuí, com raríssimas exceções, se deu na aposta de gestores já, comprovadamente, por excelência. As questões ideológicas foram apagadas com a borracha do bom senso.

Isso se pode constatar a partir do resultado do primeiro turno. Vem de Belo Horizonte, a charmosa capital mineira, o exemplo mais plausível. Ali, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) deu uma surra histórica nos seus adversários. Não por acaso, sua gestão tem o reconhecimento de quase 80% da população. Kalil não recorreu sequer a uma orientação de marqueteiro, um dos maiores custos de candidatos em campanha, principalmente quando se trata de reeleição, etapa que só se passa pelo teste das urnas se tiver uma folha de serviços prestados.

Na entrevista ao Roda Viva, Kalil, cuja única experiência de executivo vinha do comando do Atlético Mineiro, contou que, ao recusar a oferta de marqueteiros para a campanha, assim justificou: se a população não for capaz de reconhecer o que fiz em quatro anos, sendo preciso uma estratégia de marketing, prefiro ser derrotado. Teve mais de 70% dos votos válidos.

Em Salvador, a capital do axé baiano, não foi diferente. Depois de transformar a cidade num canteiro de obras, ACM Neto, que virou a principal liderança do DEM no País, elegeu em primeiro turno como sucessor o seu vice, Bruno Reis. Igualmente em Fortaleza, com índices de aprovação altíssimos, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) elegeu em segundo turno o aliado Sarto, desconhecido do grande público, depois de largar nas pesquisas de primeiro turno com apenas 4% das intenções de voto.

Voto não cai do céu nem se reproduz em laboratório. É fruto do reconhecimento da população à obra de quem está em julgamento. O direito à reeleição é um teste de fogo. O gestor, seja qual nível, federal, estadual ou municipal, coloca seu arsenal de serviços prestados em julgamento popular. É um vestibular. São aprovados os que têm a cabeça erguida, o desavergonhamento perante o povo. A altivez de exibir um mandato voltado para a esmagadora maioria da população.

O eleitor mandou, portanto, um recado sem nenhuma sutileza: quer gente que trabalhe, operante, um bem-feitor de todos, não de minorias privilegiadas. Primou por eficiência, capacidade de gestão e coragem para o enfrentamento das adversidades.

As exceções - Como em toda regra, existem as exceções. Recife foi uma delas, um caso à parte. Geraldo elegeu o sucessor João Campos (ambos do PSB) não pela excelência da sua gestão, desaprovada por mais de 60% dos recifenses. O que prevaleceu foi o abuso do poder econômico, as falhas de Marília Arraes e, sobretudo, o altíssimo índice de rejeição ao PT. A política não é uma ciência exata, mas tem explicações, lógica e discernimento. 

Caso carioca - A linha de raciocínio para a abertura desta coluna mostra o Rio de Janeiro com um viés inusitado. Desaprovado, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) perdeu o direito da reeleição para Eduardo Paes (DEM), que lá atrás teve seu nome envolvido na operação Lava Jato. A marca de corrupto não pegou em Paes por um motivo muito simples: acima da questão do desvio ético e moral prevaleceu a capacidade gestora do prefeito eleito. Ele deixou o mandato com alto índice de aprovação e isso o diferenciou de Crivella, um dos chefes de executivo municipal mais rejeitados no País. 

Ventos paraibanos - Da vizinha João Pessoa, chega o exemplo do eleitor que apostou na experiência e no êxito de gestão do prefeito eleito Cícero Lucena (PP). Quando governou a linda e ainda pacata capital paraibana, Lucena escreveu uma página de eficiência, alicerçada na capacidade e na coragem de inovar, rompendo preconceitos, quebrando barreiras. Foi graças ao sucesso da sua administração que foi eleito senador e depois ocupou um gabinete da Esplanada dos Ministérios.

A lenda Greca - Eleito pela terceira vez prefeito de Curitiba, o democrata Rafael Greca virou referência nacional em gestão pública municipal. São raros os prefeitos eleitos que deixam de ir à capital do Paraná conhecer o modelo moderno e eficaz de governar, com projetos inovadores em educação, saúde e enfoque no social. Greca é candidato com elevado grau de sucesso a governar o seu Estado a partir das eleições de 22.

CURTAS 

TUPINIQUIM - Na mesma interpretação, há notáveis gestores reconhecidos pela população nos grotões, como é o caso de Adelmo Moura (PSB), de Itapetim. Premiadissimo até por instituições internacionais, foi eleito para o quinto mandato.

ESTRADAS - Enfim, o governador Paulo Câmara iniciou as obras de construção da nova estrada ligando Sertânia ao distrito de Albuquerquené. Resta saber se fará o mesmo em relação ao trecho de Cruzeiro do Nordeste até Sertânia, que acabou. Passei por ambas neste fim de semana e pude constatar esse quadro. 

Perguntar não ofende: A partir de janeiro, o concursado Geraldo Júlio reassume suas funções burocráticas no Tribunal de Contas do Estado?

Fonte: Blog do Magno Martins.

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