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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Lideranças políticas reagem a declarações de Jair Bolsonaro sobre fraude eleitoral

 


A declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre possíveis fraudes no sistema eletrônico de eleição brasileiro no pleito de 2022 provocaram reação. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou a frase um ataque gravíssimo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aos seus juízes e cobrou que os partidos políticos acionem a Justiça para que Bolsonaro se explique. "A frase do presidente Bolsonaro é um ataque direto e gravíssimo ao TSE e seus juízes. Os partidos políticos deveriam acionar a Justiça para que o presidente se explique. Bolsonaro consegue superar os delírios e os devaneios de Trump", avaliou Maia.


A reação veio no mesmo dia. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e os líderes do partido no Congresso protocolaram duas representações contra o presidente Jair Bolsonaro, junto ao TSE e a Procuradoria-Geral da República (PGR), por conta de acusações sem provas ao sistema eleitoral brasileiro e por ameaças à democracia do País. As ações pedem a responsabilização penal, por improbidade administrativa e civil contra Bolsonaro.


Repercussão


Parlamentares pernambucanos repercutiram e repudiaram a invasão dos apoiadores de Trump ao Congresso dos EUA e a declaração do presidente da República. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), afirmou, nas redes sociais, que os atos dos apoiadores do ex-presidente Trump “devem ser rechaçados fortemente”. 


A vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB), ressaltou que a invasão ao Congresso dos EUA é um escândalo. “É um escândalo. E é também um alerta da necessidade de impedir a disseminação do germe do fascismo, da intolerância e do ódio”, disse. 


O deputado federal Tadeu Alencar (PSB) ressaltou que todos os líderes mundiais repudiaram com veemência o comportamento do presidente americano, enquanto Bolsonaro aplaude e ameaça imitá-lo. “O Brasil é que precisa imitar os americanos e, através das urnas, aposentar essa obra de fancaria que nos governa”, pontuou.


Já a deputada federal Marília Arraes declarou que é inadmissível que o presidente Bolsonaro continue ameaçando as instituições, o Estado de Direito. “O presidente deveria estar tomando providências para garantir a vacina e salvar a vida de milhares de brasileiros ao invés de ficar apoiando declarações e atos antidemocráticos”, ressaltou a petista. “O atual sistema eletrônico é o mesmo sistema que elegeu Bolsonaro e o Congresso Nacional”, lembrou o deputado federal Daniel Coelho (Cidadania). O parlamentar ainda ressaltou que se alguém tiver o interesse de mudar o sistema, tem toda as prerrogativas de apresentar as propostas de mudanças de defendê-las institucionalmente junto ao TSE e ao Congresso.


Análise


A cientista política Priscila Lapa lembra que, desde o momento que Bolsonaro assumiu o mandat,o ele vem buscando um alinhamento com o presidente americano, apesar das diferenças econômicas e contextuais dos dois países. A fala do presidente, segundo ela, é um conjunto de pensamento, de valores e visão de mundo e como ele enxerga as instituições.


“Ele bota em xeque o próprio sistema eleitoral e já lança um alerta. É exatamente a repetição das ações de Trump no contexto do Brasil. Ela não é desprovida de sentido. Quer manter a animosidade, a desconfiança das pessoas sobre as instituições e manipular isso para que possa favorecer seus projetos políticos”, explicou. Lapa ainda diz que Bolsonaro e seus apoiadores ensaiaram fazer o mesmo que aconteceu no Congresso americano, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) sofreu ataques ano passado, com fogos de artifícios.


Caso o episódio dos Estados Unidos se repita no Brasil há uma preocupação maior, segundo o cientista político Antônio Lucena, porque as instituições brasileiras não estão consolidadas como as americanas. “Tanto Bolsonaro quanto Trump sabem que têm uma ala de apoiadores que podem fazer isso mesmo. Provavelmente, se tudo permanecer do jeito que está, a gente pode ver algumas cenas semelhantes. A diferença é que, nos EUA, eles já têm uma democracia relativamente consolidada.”


Fonte : Blog da Folha de PE.

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