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sábado, 20 de março de 2021

Cadê o dinheiro da Covid?

 


Na véspera do prazo legal para informar ao Legislativo quanto investiu no Estado na pandemia e nas ações federais em geral com os R$ 4 bilhões repassados pela União, o governador Paulo Câmara comunicou, ontem, ao deputado Alberto Feitosa (PSC), autor do requerimento, que só gastou R$ 471 milhões dos R$ 800 milhões da rubrica específica da Covid-19.

Foi uma explicação sem muitos detalhes, tanto que o parlamentar não se deu por satisfeito. Feitosa disse ao Frente a Frente, ontem, que o governador não explicou muitas coisas. Uma delas, que retirou R$ 70 milhões da fonte de recurso “Enfrentamento ao Coronavírus – Livre Aplicação”, do Governo Federal, para abater parte da dívida pública do Estado. Na época, a justificativa dada pelo Governo foi que havia excesso de receita.

Esses recursos federais deveriam ter sido empregados na aquisição de mais leitos de UTI como forma de prevenção para caso acontecesse uma nova onda. Mas não foi o que se deu de fato, com pontos mais graves que o governador também não explica. Em agosto de 2020, hospitais de campanha começaram a ser fechados no Estado e nem todos os leitos de UTI que atuavam nesses hospitais foram mantidos abertos, quando não se tinha segurança quanto ao controle da doença.

 À época, alegou-se que parte da estrutura permaneceria guardada em galpões caso fosse necessária sua reinstalação. História de trancoso, pois o Governo de Pernambuco realizou nova licitação para abrir outro hospital no bairro dos Coelhos, no Recife, onde já tinha funcionado um hospital. Também foi alegado, à época, que o fechamento dos hospitais de campanha estava acontecendo por conta da baixa demanda.

Mas não havia, entretanto, indícios de que esse recuo fosse permanente e nem de que iria se manter quando as atividades chegassem a ser retomadas. O resultado foi uma segunda onda que pegou o Estado totalmente desprevenido. Já em outubro e novembro de 2020, o Governo fez vista grossa para diversas aglomerações nas campanhas eleitorais, muitas delas pelo próprio partido do governador, o PSB, o que propiciou um novo pico de Covid-19 após a eleição.

Também é importante lembrar que o Governo não atuou de forma efetiva para evitar aglomerações no período das férias de verão, delegando a responsabilidade para os municípios, que não tinham estrutura para chegar a toda a população. Um misto de incompetência na gestão do Governo de Pernambuco durante a pandemia com a ânsia de atender a interesses eleitorais e econômicos resultou na saturação do sistema de saúde do Estado, conforme se observa neste momento. A resposta do governador foi impor uma nova quarentena, medida muito prejudicial à economia do Estado, deixando funcionando áreas de interesse dos seus aliados, como o comércio de veículos, área nem de longe considerada essencial.

Quadro preocupante  Pelos números oficiais, o Estado registrou até a data de ontem 224 pessoas na fila de espera por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dedicado a pessoas com sintomas de Covid-19. Segundo a Central de Regulação de Leitos, havia três crianças, quatro recém-nascidos e 217 adultos com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), aguardando vaga. Pernambuco bateu um recorde de pessoas internadas. O boletim mais recente da Secretaria de Saúde aponta 1.250 pacientes em UTIs, com ocupação de 97%. As enfermarias, por sua vez, estavam com 879 pacientes e ocupação de 82%.

Bateu sem piedade – Diante da omissão da bancada federal para tratar do assunto e bater de frente com o Governo do Estado, o deputado Fernando Rodolfo (PL) subiu à tribuna da Câmara, e falou verdades sobre a crise sanitária devido à Covid-19. Acusou diretamente o governador Paulo Câmara (PSB) pela má-gestão dos recursos disponibilizados pela União no enfrentamento à pandemia. "Governador, não fale em colapso da rede de saúde em Pernambuco, porque a rede de saúde já está em colapso há muito tempo. Basta perguntar a quem precisa ser atendido no Hospital da Restauração. Basta perguntar a quem precisa ser atendido no Hospital do Agreste, em Caruaru", afirmou.

Má-gestão – Rodolfo disse, ainda, que "as denúncias de corrupção e desvios de verba vão se somando" na gestão estadual. "Basta lembrar do ex-prefeito do Recife, Geraldo Júlio, que Paulo Câmara agora quer eleger como seu sucessor no ano que vem, responde a seis processos de denúncias de desvio e mau uso do dinheiro do coronavírus", afirmou. O parlamentar falou, ainda, sobre a desativação dos hospitais de campanha para combate à Covid-19, em Pernambuco, no ano passado: "Se o senhor tivesse sido responsável e preservado os hospitais de campanha, certamente nós estaríamos preservando a economia e os empregos do povo de Pernambuco nesse momento da segunda onda”, desabafou.

Delegado punido  No mesmo dia em que o Estado bateu novo recorde de casos de Covid-19, um delegado da Polícia Civil foi afastado das funções, após ser flagrado em um vídeo em que trata com desprezo a pandemia. ‘Covid um ca**lho. Porr* de Covid. É curtir a vida”, declarou o delegado Gilmar Rodrigues, durante uma farra ocorrida em um bar. O afastamento do policial foi informado pela Secretaria de Defesa Social e pela Polícia Civil depois de o governador ser informado do episódio. Nas imagens enviadas para o WhatsApp da TV Globo é possível acompanhar a farra da qual participam o delegado e várias pessoas. O encontro, como próprio policial informou, ocorreu em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata.

Morte cancela ato – O presidente Bolsonaro cancelou, ontem, a entrega do texto que libera uma nova rodada do auxílio emergencial depois da confirmação da morte do senador Major Olímpio (PSL-SP), de 58 anos, por complicações da Covid-19. De forma simbólica, Bolsonaro planejava entregar a medida provisória do auxílio no Congresso Nacional, às 17 horas. A cerimônia teria a presença de diversas autoridades, como os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Seria um momento em que o governo iria comemorar o retorno do benefício. Pelo novo desenho, o Governo vai pagar quatro parcelas de R$ 150 a R$ 375 a mais de 46 milhões de pessoas.

CURTAS

COMPESA AMEAÇADA – Ao ficar proibida de renovar contratos sem licitação em operação há 30 anos, medida incluída no texto do Marco Legal do Saneamento Básico do Brasil, a Compesa corre o risco de entrar numa crise sem precedentes, com a possibilidade de restringir seu raio de ação aos municípios de grande e médio portes. Para que isso viesse a ocorrer, os deputados mantiveram o veto do presidente a um dos trechos do texto do Marco.  

PODE FECHAR – “Os pequenos municípios vão ficar sem os serviços da Compesa”, previu, ontem, um parlamentar da bancada federal, que votou contra o veto. Segundo ele, a estatal de água e saneamento de Pernambuco perderá receita, com risco de vir a ser fechada. Mesmo assim, alguns deputados da bancada votaram pela manutenção do veto.

Perguntar não ofende: É legal o governador abater a dívida interna do Estado com dinheiro destinado ao combate à pandemia? 

Fonte: Blog do Magno Martins.

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